sexta-feira, 21 de maio de 2010

Experimento em “Educação”

A grande novidade do mês de março foi o “Experimento em educação” que os noviços do segundo ano fizeram em três comunidades daquelas seis que atendemos na zona rural de nossa paróquia. Muitos jovens e adultos dessas comunidades são provenientes da vizinha Zambésia e lá, quando miúdos, muitos chegaram a ser alfabetizados e alguns freqüentaram até a 3ª. ou 4ª. classe. A zona onde se encontram agora não lhes permite a continuação dos estudos apesar de ser este o grande desejo de muitos deles. Diante da possibilidade de fazer o “Exame Externo” de 5ª. classe, nossa Comunidade se prontificou a organizar, para eles, um curso intensivo de um mês agora e mais um mês em novembro (com a possibilidade de um outro ainda em julho. Aguardamos a confirmação do Gás-NOVA de Lisboa). Os noviços foram divididos em quatro duplas. Cada dupla passava uma semana em cada comunidade. Fizemos rodízio. Cada semana uma dupla ficava no noviciado assegurando, assim, os cuidados essenciais da casa (lembrem-se que em casa só temos o grupo do segundo ano... o primeiro só vai entrar em final de maio). Nos domingos, aproveitando a boléia de P. Emílio ou P. Marco que iam celebrar numa das comunidades, retornavam ao noviciado e na tarde da segunda, voltavam ao experimento alojando-se na capela da comunidade, onde também aconteciam as aulas. O experimento prolongou-se até o domingo de Páscoa. Dessa forma deram preciosa ajuda às comunidades no tríduo pascal. Eles tinham consigo a presença eucarística, comungavam diariamente quando a dupla fazia a sua oração comunitária, e também a distribuíam nas celebrações dominicais quando aí não acontecia a celebração da Missa. Segue depoimento deles extraído de uma dissertação avaliativa que lhes foi pedida ao retornarem ao Noviciado.

“...percebi que, mesmo longe da estrutura do noviciado consigo me disciplinar seja nos horários, seja nos ofícios cotidianos... vivi a experiência de discípulo missionário tentando tratar a cegueira deste povo sofrido.” Alberto Bonifácio

“Vivi um momento importante quando alunos vinham partilhar comigo seus problemas, abrindo o coração, falando de coisas íntimas e com sofrimento,de coisas que passavam em seus lares....” Razão Agostinho

“A minha dupla não só se limitava a dar aulas, mas empenhou-se também em outras tarefas da comunidade: preparação dos leitores, catequese, aconselhamento na resolução de problemas...”António Rendição

“...fiquei muito contente em todas as comunidades, com a curiosidade deles e sua participação nas aulas. Vi que o povo lá tem grande vontade de aprender...”. Carlos Protásio

“...tudo isso me levava a baixar-me, a tornar-me uma pessoa simples. Mas também era muito desafiadora a confiança que depositavam em mim, quando vinham me pedir conselhos, respostas às suas preocupações.” André Herculano

“Fora do tempo de aulas havia sempre contacto com pessoas da comunidade. Este contacto atendia ao aspecto pastoral.” Feliciano Rúbem

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